sábado, 6 de junho de 2015

Volver








Olá galera! Hoje vou atender a um pedido antigo de uma nossas leitoras. Peço desculpas pela demora, mas vamos lá. O filme de hoje é o fantástico Volver de 2006, dirigido por ninguém mais e nada menos que Pedro Almodóvar, o mesmo diretor de Fale com Ela. 

Tenho uma grande admiração pelo enredo desta película espanhola, ela foge completamente dos padrões cinematográficos em que estamos acostumados. Isso ocorre pelo fato de que na maioria dos filmes, existem algumas poucas personagens do sexo feminino (a maioria são coadjuvantes) e estas são rodeadas por várias personagens do sexo masculino (que normalmente são as principais), mas isso não é o caso de Volver, no filme existem várias personagens femininas (as principais) e poucas personagens masculinas (coadjuvantes em sua maioria).

Partindo dessa diferença (que é muito interessante), o filme narra a história de duas irmãs, Raimunda (interpretada pela bela Penélope Cruz) e Sole (Lola Dueñas). As se encontram na casa de sua família depois de um incêndio que matou os seus pais. Raimunda é uma mulher trabalhadora, mãe de uma filha adolescente, Paula (Yohana Cobo) e ainda é casada com um marido desempregado, Paco (Antonio de la Torre). Já Sole, é dona de um salão de beleza que funciona dentro de sua casa, coisa bem informal. Sole vive sozinha desde quando o seu marido a abandonou. A história dessas duas bravas mulheres se passa num bairro pobre de Madrid, onde há outras várias mulheres em situação semelhante, muitas delas imigrantes. Nessa parte, a história se parece muito com os bairros periféricos das grandes cidades brasileiras, mães solteiras, trabalhadoras informais, que dão um duro danado para sobreviver no meio dessa sociedade caótica e opressora.

No reencontro das duas irmãs na antiga casa, as duas se deparam com uma inusitada história de que o fantasma de sua falecida mãe circunda a vizinhança, história essa que as duas não acreditam. Mas a partir desse reencontro, o fantasma do passado volta a assombrar essa família, mostrando por que essas duas admiráveis mulheres vivem em uma situação tão complicada, e o “fantasma” de sua mãe é a chave para essa questão.

Ao voltar para sua casa, Raimunda encontra sua filha Paula aos prantos, e se depara com uma grave descoberta: seu marido tentou molestar Paula, que se defendeu e o matou. Esse fato, que parece um ponto fora da curva na narrativa, acaba se mostrando o primeiro fantasma do passado que volta na vida dessas mulheres, neste caso, na vida de Raimunda. A partir disto, a vida dessas mulheres dessa família passa ser revelada, cada momento triste, cada situação difícil em que as mesmas tiveram que enfrentar. 

A personagem central da película é Raimunda, onde o diretor dá mais destaque na representação. É uma personagem incrível, mãe, trabalhadora, cantora, cozinheira e guerreira. E dentre as personagens, é a que teve o passado mais triste, onde o fantasma do passado e o de sua mãe a fazem revelar seus segredos.

Volver significa voltar, retroceder, e essa é a intenção de Almodóvar, fazer com que antigos acontecimentos voltem à tona na vida de cada personagem, para mostrar que elas têm força para vencer os seus fantasmas e os problemas que reaparecem. Essa foi a grande genialidade do diretor nessa história, brincar com o tempo, com fantasia e realidade, mesmo que a fantasia seja apenas imaginação.

Apesar da situação econômica e social em que se encontram as personagens, o filme tem muitos momentos alegres, de humor e entretenimento, principalmente nas cenas em que Raimunda canta e cozinha. Narrativa sensacional, que só podia ter saído da mente brilhante de Almodóvar, ele sabe representar mulheres como poucos.

É um filme incrível, história complexa e agradável de se acompanhar. Para nós brasileiros, o filme parece que se passa nas nossas cidades, as personagens são tão comuns ao nosso cotidiano. 

Trailer do Filme:

Página no IMDB:

quarta-feira, 3 de junho de 2015

American Cyborg




Olá pessoa! Continuando nosso giro pelo nosso universo cinematográfico, como na última resenha homenageei os filmes do tipo B, hoje vou prestar minha homenagem aos filmes sci-fi de baixo orçamento, que foram produzidos em larga escala no início dos anos de 1990. Impulsionados pelo sucesso do sci-fi Exterminador do Futuro, essas películas utilizavam muito da temática do perigo da inteligência artificial, de que a mesma poderia se voltar contra o ser humano. Para tal, eles adoravam utilizar o ciborgue (parte humana e parte “máquina”) como ameaça. Por isso, o filme escolhido de hoje é norte americano American Cyborg (Ciborgue Americano) de 1993. Dirigido por Boaz Davidson (cineasta israelense). Talvez hoje em dia, ao ver este filme, as pessoas o achem bobo, mas tirando essa parte do anacronismo temporal (foi um filme de poucos recursos e rodado no ano de 1993), é uma grande história, com muito suspense, aventura e mostra que às vezes o inimigo pode ser amigo.

A história do filme se passa em um futuro não tão distante na cidade de Los Angeles, que se encontra toda devastada devido a grande guerra mundial nuclear ocorrido a algumas décadas. Neste cenário, os seres humanos que conseguiram sobreviver vivem em condições de extrema pobreza, sem água potável, sem moradias dignas, sem alimentação adequada. Devido a isso, existem grupos de canibais, pois não há outra forma de se obter alimentos de origem animal. No meio de toda essa destruição e devastação, existem ciborgues, que foram desenvolvidos pelas indústrias de inteligência artificial e que não puderam mais serem controlados. Estes ciborgues caçam os seres humanos sobreviventes, principalmente os bebês recém-nascidos. 
Neste caos, a linda e jovem Mary (Nicole Hansen) dá à luz a um bebê em um laboratório secreto, o bebê é mantido em um incubadora artificial, e a missão de Mary é levar seu filho para fora da cidade, para dar novas esperanças à humanidade e evitar que o mesmo seja assassinado pelos ciborgues. Porém, parte dos seus planos é frustrado quando o Androide Assassino (John Ryan) invade o laboratório e mata todos que estão ali, menos Mary e seu filho, que conseguem fugir.

Em sua fuga, Mary acaba conhecendo Austin (Joe Lara), um andarilho das ruas de Los Angeles, que a salva de um ataque de uma gangue. Mary pede a ajuda de Austin para sair da cidade e colocar seu filho em segurança. De início relutante, Austin acaba aceitando o pedido. Nesse tempo, o Androide Assassino consegue localizá-los, começando um grande suspense e ação.
Nessa caçada, Austin acaba ferido pelo androide e descobre que ele também é um ciborgue, dando novos rumos a trama, que acaba de maneira surpreendente.

Paras as pessoas que gostam de ficção científica, filmes independentes e de conspirações futurísticas, essa história é fantástica e recomendo de verdade. Tem uma narrativa incrível, personagens muito interessantes, como é o caso de Austin, e o filme também representa as personagens femininas de maneira honesta e forte, diferentemente do que ocorre na grande maioria das películas.

No fim, essa não é uma história absurda, pois no futuro podem ser desenvolvidas máquinas de guerra com inteligência artificial e com essa inteligência, elas não podem ser controladas de maneira ótima pelo ser humano, o que pode causar grandes problemas, como no filme.

Trailer do filme:

Página no IMDB: