Continuando nosso giro pelo mundo do cinema, agora vamos desembarcar nos Estados Unidos, isso mesmo, o país referência da sétima arte. Porém, vou fugir um pouco dos blockbusters, o filme de hoje é o fenomenal Magnólia de 1999, uma das grandes produções do cinema independente norte americano. O filme é dirigido pelo fantástico Paul Thomas Anderson, um dos diretores mais criativos e originais de sua geração (geração do final dos anos de 1990). O filme tem um roteiro fantástico e o seu elenco põe vida nas personagens de maneira surreal, principalmente a personagem interpretada por Tom Cruise, uma espécie de guru misógino.
O filme narra a história de alguns personagens que não têm quase nada em comum, mas que vivem em um bairro conhecido com Vila Magnólia e que de alguma forma suas histórias acabam se cruzando em uma noite triste. A riqueza da história começa por aí, pois Paul Thomas Anderson se preocupa em narrar detalhadamente a vida de cada personagem, mostrando as virtudes e principalmente as fraquezas de cada uma delas. Primeiro, somos apresentados a Earl Partridge (Jason Robards), um ancião que está em casa esperando a morte (devido a um câncer) acompanhado de seu enfermeiro Phil Parma (Philip Seymour Hoffman). Depois temos sua esposa Linda (Julianne Moore), muito mais jovem que Earl e que se casou apenas por dinheiro, mas que diante daquela situação vê que realmente ama seu convalescente marido e tenta corrigir seu erro. Adiante temos Frank Mackey (Tom Cruise), um guru sexual misógino que ensina em um programa de televisão técnicas machistas de sedução de mulheres para homens solteiros. Frank é filho de Earl, os dois estão brigados a muitos anos e não mantêm mais contato. Na mesma emissora de TV de Frank, temos Jimmy Gator (Philip Baker Hall), que é um âncora de um talk show de perguntas e respostas e que está a mais de trinta anos no ar. Jimmy também está com câncer e tem problemas sérios com sua filha Claudia (Melora Walters), garota confusa e de vida difícil, que é viciada em drogas. Claudia acaba conhecendo o policial Jim Kurring (John C. Reilly), e como um dos grandes acasos da vida, Claudia tem a partir dali uma chance de mudar sua realidade. Devido ao seu sério estado de saúde e os seus problemas com Claudia e a eposa, Jimmy não consegue se comandar o seu programa e acaba respondendo as perguntas antes que os convidados do talk show. Um destes convidados é Stanley Spector (Jeremy Blackman), garoto genial que estava prestes a bater o recorde de perguntas e respostas do programa, mas foi atrapalhado pelos devaneios de Jimmy. Stanley tem sérios problemas familiares, principalmente com seu pai, que o trata como uma máquina. Finalizando a apresentação das personagens principais, temos Donnie Smith (William Macy), que foi um antigo recordista do talk show de Jimmy, mas que hoje é um homem triste e frustrado, principalmente do ponto de vista sexual (tem problemas para aceitar sua homossexualidade).
Cada personagem mostrada acima tem sua história contada em detalhes, fazendo com que o espectador não se perca e conheça a razão do comportamento de cada uma delas. Assim, podemos entender como os acontecimentos de cada uma se cruza com os da outra e mostra como a vida delas está ligada.
Já por aí vemos que este filme é fantástico, o jogo com as personagens e o roteiro rico e incrível. Outro ponto forte é a trilha sonora, que é comandada pela cantora Aimee Mann, que dá força aos dramas e dificuldades de cada um na história. Em destaque a música Wise Up, usada em uma das cenas mais incríveis da trama.
Na vida nós tentamos nos parecer fortes diante da sociedade, mostrando nossas forças e virtudes, escondendo nossos erros, "pecados" e defeitos. Magnólia tenta mostrar o outro lado de cada pessoa, suas fraquezas, erros, defeitos e, principalmente, os "pecados", desconstruindo essa casca que a sociedade vê e admira. E esse é o grande legado da história, que deixa o filme atemporal e admirado apesar dos anos.
Trailer:
Interpretação de Wise up por Aimee Mann:
Página no IMDb:
http://www.imdb.com/title/tt0175880/
