quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Cidade das Sombras


Olá galera, quanto tempo! Voltando ao nosso giro pelo mundo do cinema, hoje vamos para a Austrália, país de filmes incríveis como Mad Max, Crocodilo Dundee. A resenha de hoje será sobre o incrível Cidade das Sobras (Dark City), de 1998. Sem dúvida um dos melhores filmes de aventura/ficção científica que já vi. Dirigido Alexander Proyas, o mesmo diretor do O Corvo (1994), Eu Robô (2004) e Presságio (2009). Quem já teve a oportunidade de assistir o corvo percebeu como o diretor sabe bem trabalhar com o terror sombrio e inteligente.

Então vamos ao filme. Cidade das sombras narra a história de uma cidade onde a escuridão é eterna, com clima sombrio e psicodélico (que lembra muito o visual do filme O Corvo). Os habitantes dessa cidade não percebem o fato de que a escuridão nunca some, os mesmos vão vivendo as suas rotinas comuns, como se tudo ali estivesse na mais perfeita “normalidade”. Carros, passam tranquilamente pelas ruas, pessoas caminham de um lado para o outro, trabalham...

Essa normalidade é perturbada quando um cidadão comum, conhecido como John Murdoch (Rufus Sewell) é perseguido pelo inspetor de polícia Frank Bumstead (Willian Hurt) por suspeita de assassinatos. John não entende o porquê daquela perseguição e não consegue se lembrar de eventos recentes que aconteceram em sua vida. A partir daí, ele começa a buscar respostas dos enigmas que rondam sua vida, principalmente em relação aos assassinatos dos quais é suspeito. Nessas buscas, Johon começa a descobrir as verdades do seu mundo, e percebe que a vida dele e a das demais pessoas naquela escura e fria cidade não era realmente o que parecia ser.

Nessas descobertas, o nosso cidadão comum que virou protagonista, acaba por conhecer Dr. Daniel P. Schreber (Kiefer Sutherland), que revela as verdades por trás da escuridão da cidade e da vida das pessoas. Como podemos perceber, é como se existisse um Deus Ex Machina que controlasse tudo e todos. Verdades reveladas, aí a ação começa, onde há a mistura de fantasia, ficção científica, aventura e drama.

A grande sacada do filme é misturar elementos do gênero de fantasia, ação, drama e ficção científica, que enriquecem muito a história e a deixam bem complexa e agradável de assistir. A fotografia do filme é incrível, e com a versão em blu-ray, as imagens e os efeitos especiais ficaram sensacionais, nem parece que é um filme feito em 1998. Recomendo fortemente esse filme, a história é bem construída e ação misturada com o suspense não deixa a gente com sono em nenhum momento.

Então, terminando de resenhar o filme, dá para se fazer um forte paralelo com a realidade, onde muitas pessoas ligam o piloto automático e fazem as coisas sem pensar no que realmente estão fazendo, agindo como marionetes do sistema, apenas existindo. Nessa vida corrida, onde as pessoas não têm tempo para nada, só para cumprir as normas sociais, não é de se pensar que exista um Deus ex Machina que nos controla? Que molda nossas decisões e atitudes?


Obrigado galera! O nosso próximo destino é o Brasil, mais precisamente Brasília, minha cidade, aguardem...

Trailer do Filme: 

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terça-feira, 4 de agosto de 2015

A Pele que Habito



Galera, estou volta. Hoje farei diferente, em vez de fazer uma resenha de um filme que gostei, vou fazer a resenha de um dos piores filmes que assisti na vida (o pior filme que assisti na verdade).
Então, o filme de hoje é o espanhol A Pele que Habito (La Piel que Habito) de 2011, do diretor Pedro Almodóvar, isso mesmo, o mesmo diretor que elogiei em duas outras resenhas. Então vamos lá.
 De cara, o filme começa com um mistério, onde uma mulher vive presa e sob vigília constante de câmeras. Este longa metragem tem como personagem principal o médico cirurgião Robert Ledgard (Antonio Bandeiras), um cara bem estranho que vive recluso junto de sua filha (Norma), desde quando sua esposa faleceu. Robert é uma personagem completamente sem noção, que é tão mal que construída chega a ser engraçada. O seu grande objetivo é recriar em laboratório uma espécie de pele humana, de tão obstinado, esse objetivo se torna uma obsessão na vida de Robert. Tal obsessão se deriva do fato de sua finada esposa ter tido o corpo totalmente deformado por queimaduras.
Até aí, o filme é mal feito, mas ainda é “assistível”. A pior parte ainda está porvir... Robert e sua filha saem para uma festa, promovida por alguns de seus colegas. Nessa festa, Norma sai para dar uma volta no jardim do local da festa e acaba por conhecer Vicente (Jan Cornet), um jovem comum, com espírito aventureiro. Os dois conversam, até norma retira os sapatos e algumas peças de roupa que a atrapalham, o que excita Vicente, que não se controla e a agarra à força, cometendo um estupro. Horas depois, Robert encontra Norma desmaiada no chão, ao ser acordada, a mesma associa o estupro ao seu pai. A partir daí, Norma vive reclusa no sanatório, onde não consegue chegar perto do próprio pai, onde a mesma acaba por cometer suicídio.
Galera, até então o filme é ruinzinho, tem umas coisas meio esquisitas, mas ainda é suportável, mas agora que a coisa vai ficar ruim, preparem-se... Robert vai atrás de Vicente, e ao acha-lo, o atropela e seda. Daí também o sequestra para a sua casa, onde o coloca em um cativeiro parecido a uma jaula. Por qual motivo ele o sequestra? Para fazer jogos sádicos? Não! Ele o sequestra para fazer suas experiências na criação da pele humana em laboratório. Primeiro ele faz uma cirurgia de mudança de sexo em Vicente, isso mesmo, ele faz a porra (desculpem-me pela palavra de baixo calão) de uma cirurgia sem relação nenhuma com a história. Daí em diante, o seu objetivo é transformar Vicente em uma mulher, fazendo experiências com sua pele. Através dessas experiências, Robert acaba por transformar Vicente em Vera, uma mulher que é quase idêntica a sua esposa (isso mesmo, o cara transforma o estuprador de sua filha na finada esposa, socorro!).
Com isso, Robert acaba por se apaixonar por Vera, o que gera resultados devastadores na vida deste médico...
Bom, não sei o que deu na cabeça do Pedro Almodóvar em rodar um longa com esta história absurda, mal construída e sem um pingo de racionalidade. Que ser humano iria transformar o estuprador da própria na finada esposa? Quem se apaixonar pelo estuprador da própria filha? Sem falar nos erros científicos grosseiros, Vera jamais iria ficar igual a falecida esposa de Robert. Juro que levei um grande susto ao assistir este filme, não esperava por uma história dessas, olha que já assisti muitos filmes com histórias bem tristes e bizarras, sou mente aberta e gosto de histórias bem construídas e elaboradas, mesmo que violem qualquer tipo de código moral estabelecido na sociedade, mas caramba, esse filme não dá!


Normalmente termino minhas resenhas com uma reflexão que o filme constrói para interpretar a complexidade do nosso mundo, mas não consigo tirar nenhuma ideia ou reflexão a partir da história desse filme. Mas fica a dica, quem quiser assistir ao filme, vale à pena para rir, de tão absurdo fica engraçado. Nunca me senti tão frustrado ao ver um filme...

Trailer do Filme:

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sábado, 6 de junho de 2015

Volver








Olá galera! Hoje vou atender a um pedido antigo de uma nossas leitoras. Peço desculpas pela demora, mas vamos lá. O filme de hoje é o fantástico Volver de 2006, dirigido por ninguém mais e nada menos que Pedro Almodóvar, o mesmo diretor de Fale com Ela. 

Tenho uma grande admiração pelo enredo desta película espanhola, ela foge completamente dos padrões cinematográficos em que estamos acostumados. Isso ocorre pelo fato de que na maioria dos filmes, existem algumas poucas personagens do sexo feminino (a maioria são coadjuvantes) e estas são rodeadas por várias personagens do sexo masculino (que normalmente são as principais), mas isso não é o caso de Volver, no filme existem várias personagens femininas (as principais) e poucas personagens masculinas (coadjuvantes em sua maioria).

Partindo dessa diferença (que é muito interessante), o filme narra a história de duas irmãs, Raimunda (interpretada pela bela Penélope Cruz) e Sole (Lola Dueñas). As se encontram na casa de sua família depois de um incêndio que matou os seus pais. Raimunda é uma mulher trabalhadora, mãe de uma filha adolescente, Paula (Yohana Cobo) e ainda é casada com um marido desempregado, Paco (Antonio de la Torre). Já Sole, é dona de um salão de beleza que funciona dentro de sua casa, coisa bem informal. Sole vive sozinha desde quando o seu marido a abandonou. A história dessas duas bravas mulheres se passa num bairro pobre de Madrid, onde há outras várias mulheres em situação semelhante, muitas delas imigrantes. Nessa parte, a história se parece muito com os bairros periféricos das grandes cidades brasileiras, mães solteiras, trabalhadoras informais, que dão um duro danado para sobreviver no meio dessa sociedade caótica e opressora.

No reencontro das duas irmãs na antiga casa, as duas se deparam com uma inusitada história de que o fantasma de sua falecida mãe circunda a vizinhança, história essa que as duas não acreditam. Mas a partir desse reencontro, o fantasma do passado volta a assombrar essa família, mostrando por que essas duas admiráveis mulheres vivem em uma situação tão complicada, e o “fantasma” de sua mãe é a chave para essa questão.

Ao voltar para sua casa, Raimunda encontra sua filha Paula aos prantos, e se depara com uma grave descoberta: seu marido tentou molestar Paula, que se defendeu e o matou. Esse fato, que parece um ponto fora da curva na narrativa, acaba se mostrando o primeiro fantasma do passado que volta na vida dessas mulheres, neste caso, na vida de Raimunda. A partir disto, a vida dessas mulheres dessa família passa ser revelada, cada momento triste, cada situação difícil em que as mesmas tiveram que enfrentar. 

A personagem central da película é Raimunda, onde o diretor dá mais destaque na representação. É uma personagem incrível, mãe, trabalhadora, cantora, cozinheira e guerreira. E dentre as personagens, é a que teve o passado mais triste, onde o fantasma do passado e o de sua mãe a fazem revelar seus segredos.

Volver significa voltar, retroceder, e essa é a intenção de Almodóvar, fazer com que antigos acontecimentos voltem à tona na vida de cada personagem, para mostrar que elas têm força para vencer os seus fantasmas e os problemas que reaparecem. Essa foi a grande genialidade do diretor nessa história, brincar com o tempo, com fantasia e realidade, mesmo que a fantasia seja apenas imaginação.

Apesar da situação econômica e social em que se encontram as personagens, o filme tem muitos momentos alegres, de humor e entretenimento, principalmente nas cenas em que Raimunda canta e cozinha. Narrativa sensacional, que só podia ter saído da mente brilhante de Almodóvar, ele sabe representar mulheres como poucos.

É um filme incrível, história complexa e agradável de se acompanhar. Para nós brasileiros, o filme parece que se passa nas nossas cidades, as personagens são tão comuns ao nosso cotidiano. 

Trailer do Filme:

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